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Automação Predial se torna viável para todo tipo de edificação


Autor: Eng. José Roberto Muratori
Artigo publicado na revista Lumiere Electric. edição 238, fevereiro de 2018

 O conceito habitualmente utilizado para definir os sistemas de Automação Predial está sofrendo uma mudança considerável nos últimos tempos. A evolução da tecnologia começa a reduzir o impacto do hardware necessário dentro da edificação e tudo que isto implica, ou seja: dificuldades na instalação, manutenção e operação especializadas, atualizações complexas e caras.

Mas, será que de alguma forma isto pode causar o desaparecimento dos sistemas “tradicionais”, os denominados BMS (Building Management Systems)?

Sistemas mais complexos e que utilizam equipamentos com grande capacidade de processamento embutida e necessitam de uma durabilidade e robustez acima da média continuarão a ser necessários, principalmente em grandes instalações e em situações de uso intensivo. Serão responsáveis principalmente pela operação e controle de sistemas hidráulicos (bombas, etc.), climatização centralizada, sistemas alternativos de energia ou mesmo da iluminação de ambientes de maior porte das áreas comuns. Também podem se integrar a sistemas de prevenção e combate a incêndio ampliando a proteção global da edificação.

Neste cenário podemos enquadrar grandes empreendimentos, como shopping centers, prédios públicos, edifícios corporativos e outros deste porte.

No entanto, existe uma infinidade de edifícios que não se enquadram nesta classificação e que estão hoje à deriva, ou seja, sem contar com sistemas eficientes para sua operação rotineira. Talvez neste ponto seja mais simples estudarmos a edificação pelo seu uso e não pelas suas características arquitetônicas ou construtivas. Então poderíamos começar a discorrer sobre uma série de usos diversos: escolas, igrejas, clínicas, redes de lojas, restaurantes, hotelaria, academias esportivas e assim por diante. Quando pensamos desta maneira, passamos a identificar quais são os problemas operacionais mais relevantes na gestão de cada um destes negócios. E então começamos a perceber como as novas tecnologias de automação podem ser aplicadas em cada situação especifica.

Sem a intenção de fazer uma abordagem completa e exaustiva, pretendemos neste artigo listar alguns exemplos de situações relevantes que normalmente se tornam problemas de difícil solução, ou se não são difíceis de resolver podem se tornar caros, por envolver mão de obra intensiva, ou ineficientes, devido aos custos envolvidos.

Uma rede de lojas, por exemplo, pode desejar um controle unificado de suas instalações, o que pode envolver o acesso de funcionários apenas em horários autorizados, programas de manutenção preventiva e corretiva, estabelecer padrões de iluminação e climatização uniformes em todas as unidades da rede. Além disso, obter dados relevantes oriundos de cada loja para gerar relatórios comparativos entre as diversas unidades com a  finalidade de detectar problemas operacionais ou divergências na  sua operação.  Poderíamos ainda acrescentar sistemas de sonorização ambiente, de digital signage, além de aspectos ligados ao atendimento de clientes (promoções relâmpagos simultâneas, por exemplo).

No caso acima, alguém pode comentar, estamos indo além da “automação” em si, pois começamos a inserir novos elementos ligados a sistemas que normalmente operam de forma independente de um controle central (isto quando existem...). Pois esta ampliação no conceito da automação faz parte desta mudança expressiva que está ocorrendo. Incluir itens como sonorização ambiente, exibição de imagens pré-selecionadas, gestão de pessoas e até aspectos operacionais do negocio no mesmo “cardápio” dos gestores torna-se prático e eficiente. Mas, precisa de um correto planejamento e uma programação bem elaborada para se tornar efetiva e operacional para qualquer tipo de gestor.

Inicialmente, a interface de gestão deve ser a mais intuitiva e simples de usar. Para isto, dispomos de smartphones e tablets que as pessoas já estão acostumadas a portar e usar de forma rotineira. Pronto! Primeira questão resolvida... Neste caso, vamos esquecer das salas de monitoramento complexas, repletas de monitores e operadas 24 horas por operadores treinados. Os gestores podem se manter em seus postos de trabalho, estejam remotos ou localmente posicionados dentro da edificação e serão informados sobre qualquer situação relevante que aconteça. Mas, além destes “alertas”, também terão acesso a uma grande quantidade de dados que normalmente não estariam armazenados à sua disposição. Portanto, poderão elaborar relatórios, estudar aspectos ligados aos custos operacionais e, como já dissemos, fazer analises comparativas entre edificações utilizadas para finalidades similares.

Resolvida a questão da interface intuitiva e funcional com os usuários, ainda restam outras questões importantes para justificar as mudanças que estamos relatando. Uma delas é a questão da instalação destes novos sistemas em edificações já existentes. Esta normalmente é uma questão que pode inviabilizar o uso de sistemas “tradicionais” de BMS em função da necessidade de intervenções tanto na parte civil como na instalação elétrica convencional de um edifício. Aqui também temos boas novidades a favor dos sistemas mais atuais: trata-se de uma instalação bem simples, baseada no uso intensivo de comunicação sem fios, inclusive acesso à rede de dados (local e internet). Atuadores, sensores e outros elementos destes novos sistemas oferecem uma quantidade significativa de “gateways” para diversos protocolos já utilizados em sistemas mais habituais, sejam de segurança, automação elétrica, áudio e vídeo e outros. Portanto, a integração resulta simples, principalmente baseada em recursos de programação, limitando o investimento em novos hardwares.

Mais um aspecto a ser tratado remete à questão da operação e manutenção. Um dos principais problemas ligados ao uso intensivo de sistemas de BMS está na necessidade de manter equipamentos (hardware) fisicamente presente na edificação. Muitas vezes estes equipamentos (principalmente os controladores e módulos das centrais de automação) podem estar abrigados em locais inadequados, tanto para seu uso como para manutenção, além de poderem sofrer riscos elétricos e outros tipos de danos por uso indevido de pessoas não autorizadas. Como os novos sistemas resolvem esta questão? Utilizando a nuvem como principal recurso de processamento e armazenagem de informações. Servidores com capacidade bem dimensionada e com níveis de redundância pré-estabelecidos atuam remotamente e “livram” as edificações deste desconforto operacional. A manutenção local se restringe a alguns sensores e atuadores cujo mau funcionamento será alertado pelo próprio sistema e informado aos responsáveis para a devida correção. Também pode ser citada a vantagem reletiva às atualizações do sistema. o que se dará de forma automática pelo fornecedor do equipamento, sem necessidade de envolver os usuários.

Resolvida assim a questão da viabilidade de instalação física e da operação do sistema, vamos agora tratar da viabilidade econômica destes novos sistemas de automação e integração. Como se trata de sistemas de fácil instalação e que operam de forma descentralizada, naturalmente já obtemos duas vantagens: escalabilidade, ou seja, o sistema pode ser implantado gradativamente conforme disponibilidade orçamentária do contratante e um novo formato de contratação, o que pode envolver o pagamento de mensalidades ao invés de um desembolso significativo como investimento. Ou seja, estamos entrando na era do SAAS (System as a Service) também na automação predial.

Resumindo o que foi dito acima, os novos sistemas de automação predial, normalmente baseados no conceito de IoT (Internet das Coisas) e Cloud (computação em nuvem), apresentam como características principais as seguintes vantagens em relação aos sistemas atuais:

- interfaces simples e intuitivas para os gestores e usuários, possibilitando tanto acesso local como remoto

- instalação bem mais simples, onde o maior tempo será utilizado na configuração e programação e não na instalação física dos equipamentos

- operação e manutenção sem complicação devido ao uso da nuvem como principal elemento de processamento, controle e armazenamento de dados

- baixo investimento se comparado com instalações de BMS convencionais, seja pela reduzida intervenção física, seja pelo modelo de pagamento através de recorrência (mensalidades, por exemplo) que pode envolver comodato dos equipamentos e atualizações automáticas de responsabilidade do fornecedor do sistema

Portanto, se passarmos a observar nossas edificações através de um novo prisma, ou seja, da utilização efetiva para qual ela se presta, vamos descobrir que problemas aparentemente de difícil solução podem ser resolvidos com sistemas simples de instalar, configurar e operar. Além disso, como são amplamente baseados em programação e não em hardware, garantem grande flexibilidade de uso, podendo ser facilmente ajustados para diferentes tipos de usuários ou gestores.


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